sábado, 3 de setembro de 2016

Tabagismo e Barra de Cereal Caseira

Cris: Temos na cozinha, hoje, o Médico Dr. Bruno Denes Cesário Pereira, que tem residência em Medicina da Família  e Comunidade. Dr. Bruno, bem vindo às Panelas de Freud! Fico muito feliz por você ter aceitado o convite para participar de meu Blog, Conte-nos, o que é "tabagismo"?


Dr. Bruno: Tabagismo é o ato de consumir cigarros ou outros produtos que contenham tabaco. O princípio ativo do tabaco é a nicotina. Sabe-se, hoje, que o tabagismo é a principal causa de morte e de doenças no mundo. Por ano, mais de 6 milhões de pessoas morrem devido ao tabaco e doenças causadas direta ou indiretamente por ele. A Organização Mundial de Saúde considera o tabagismo uma pandemia (uma doença espalhada por uma grande região, como um continente ou o planeta todo), devendo ser combatida.

Cris: Quais doenças estão relacionadas ao tabagismo?


Dr. Bruno: O tabagismo está relacionado a várias doenças, tais como variados tipos de câncer, sendo o mais conhecido o de pulmão, mas podemos citar também o de boca, garganta, traqueia, esôfago, estômago, pâncreas, bexiga, colo do útero e o de pele. Outra doença é o DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), que engloba o enfisema pulmonar e a bronquite crônica. Também há doenças vasculares, como o infarto, derrame cerebral e doenças arteriais.

Cris: Como a medicina  pode ajudar as pessoas que querem  parar de fumar?


Dr. Bruno: Nesse caso, especificamente, o médico pode ajudar no tratamento através de uma avaliação para ver qual o grau de adicção que o tabagista tem em relação à nicotina e, se necessário, pode prescrever remédios que auxiliem na parada. Nessa avaliação, o médico também pode procurar por comorbidades, ou seja, outras doenças que podem ou não estar relacionadas ao tabagismo e tratá-las. Além do mais, o médico pode também fazer orientações sobre mudanças do estilo de vida ao longo do tratamento, juntamente com um equipe multidisciplinar (enfermeiros, técnicos de saúde, pessoal da odontologia, fisioterapia, psicólogos…).


 Cris: É possível trabalhar o tabagismo em Grupo? Como funciona? 


Dr. Bruno: Sim, é possível. O Ministério da Saúde faz esse tipo de abordagem inclusive, mas também pode haver uma abordagem individual. No trabalho em grupo, são realizadas sessões de 60 minutos em média, onde os fumantes recebem informações sobre os malefícios do cigarro, modos de parada, sintomas de abstinência, mudanças percebidas nos primeiros dias sem fumar e maneiras de tentar combater a ansiedade e a vontade de fumar. São pelo menos 4 sessões para trabalhar os temas, podendo haver sessões posteriores de manutenção. As sessões são semanais.
No grupo, os fumantes têm a vantagem de trocar experiências, mostrando que as dificuldades que cada um enfrenta são mais comuns do que imaginam. O apoio mútuo é um grande aliado no combate ao tabagismo, especialmente no período de abstinência e nos períodos de recaída.

 Cris: Quais são os Profissionais que o fumante pode procurador para encontrar ajuda ?


Dr. Bruno: Atualmente o Ministério da Saúde faz capacitação para diversos profissionais da saúde para que ajudem no tratamento da parada de fumar. A pessoa interessada pode procurar se informar na Unidade de Saúde mais próxima para ver se tal serviço está disponível.
De um modo geral, além de uma equipe médica, o seguimento com um serviço de psicologia é importante, visto que a abordagem combina intervenções cognitivas com o treinamento de habilidades comportamentais, onde a pessoa aprende a atentar-se para situações de riscos de recaída e suas estratégias para enfrentamento, estimulando o auto controle.
Vale a pena lembrar que o remédio (seja ele a reposição de nicotina pelo adesivo ou goma de mascar ou comprimidos como antidepressivos) não é responsável pela parada de fumar. O sucesso do tratamento depende exclusivamente da decisão em abandonar o cigarro e da própria força de vontade. O remédio tem como função ajudar nos períodos em que a abstinência surge (em media de 8 horas a 4 semanas após o ultimo cigarro).

Cris: E qual é a receita de hoje? 



Dr. Bruno: segue a  receita no link: BARRA DE CEREAL (escolhida por ser de baixa caloria, alimento preferencial na fase de abstinência)

terça-feira, 26 de julho de 2016

Macrobiótica e Empadão de Painço Gratinado





Cris: Hoje, a conversa é com a Mário Pereira, que é Consultor, Educador, Conferencista Internacional e  Estudioso Macrobiótico com 37 anos de experiência. É reconhecido pelo Instituto Macrobiótico de Portugal, como um dos palestrantes, professores/consultores mais antigos, exemplares e ativos em termos sociais, da Filosofia Macrobiótica e Medicinas Naturais, em Portugal e em outros países de língua inglesa, espanhola e francesa. Mário, bem vindo ao Panelas de Freud! Conte-nos, O que é a Reeducação Alimentar? 

Mário: A reeducação alimentar é um processo de transição dos hábitos alimentares que, através da informação qualificada recolhida em palestras, leituras ou consultas, ajuda e motiva o interessado a perceber essa necessidade, com o propósito de  conquistar a saúde física, emocional, social, ambiental e espiritual (definição holística de saúde).

Cris: Como funciona a Reeducação Alimentar?


Mário: Para a macrobiótica, a prática da reeducação alimentar beneficia da dinâmica das leis naturais que, num ritmo de 300 milhões de células por minuto, eliminam e constroem 98% das células do corpo humano em menos de 365 dias. As mudanças fisionómicas, orgânicas e mocionais começam a sentir-se em pouco tempo. 

Cris:  Quais os benefícios de se fazer uma Reeducação Alimentar?

Mário: O benefício da prática da reeducação alimentar é a recuperação da qualidade de vida que, ao longo do tempo, se vai manifestando nas melhoras do funcionamento dos sistemas e orgãos e, com consequência no rejuvenescimento fisionómico e comportamental. A nível mundial, um número bastante significativo de pessoas portadoras das chamadas doenças modernas, (pós era industrial), já beneficiaram deste tipo de reeducação e em muitos casos recuperado completamente de diferentes patologias.No entanto, essa reeducação é principalmente recomendada como meio preventivo e para inverter o processo degenerativo da humanidade.  

Cris: Quais profissionais que podem ajudar a pessoa que quer fazer uma Reeducação Alimentar, dentro da visão da macrobiótica?

Mário: Os profissionais recomendados são os consultores ou educadores macrobióticos qualificados. Durante as últimas décadas, foram criados em alguns países, Centros e Institutos de Formação Macrobiótica, com destaque especial para o Instituto Macrobiótico de Portugal (IMP). Segundo a opinião dos mais antigos e qualificados Consultores MBs, essa instituição é reconhecida como a mais bem organizada do planeta.  

Cris: E qual é a receita de hoje? 

Mario: Sobre a receita (foi escolhida por ser apropriada para esta estação invernosa), é o empadão de painço gratinado.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Terapia de Grupo e Raclette

Cris: Hoje, a conversa é com a Psicóloga Wilza M. Brosig, que tem formação em Terapia Familiar Sistêmica, dentre diversas outras. Wilza, bem vinda ao Panelas de Freud! Conte-nos, o que é “Terapia de Grupo”?




Psicóloga Wilza: É uma forma de terapia em que o psicólogo seleciona cuidadosamente um grupo de pessoas para se reunir regularmente, com um propósito terapêutico, sob a orientação do profissional. Apesar de pouco divulgada, a Terapia de Grupo é um formato de atendimento clínico que traz excelentes resultados e oferece vantagens para quem a procura.

Cris: É uma forma de terapia que todos podem fazer?


Psicóloga Wilza: Todas as pessoas que estão motivadas a trabalhar seus sentimentos e comportamentos podem fazer Terapia de Grupo. É necessário estarem dispostas a ouvir os outros, não apenas serem ouvidas, dispostas a dar e a receber.

Cris: E nos conte, como funciona a Terapia de Grupo?


Psicóloga Wilza: Em alguns aspectos, funciona como uma terapia individual, contemplando as mesmas questões de uma terapia individual, como ansiedade, depressão, problemas de relacionamento, dificuldades do dia-a-dia e assim por diante. Por outro lado, o Grupo não é apenas uma somatória de pessoas, mas o resultado da interação de seus participantes.

Na Terapia de Grupo, assim como na individual, alguns combinados devem ser estabelecidos, como atendimento semanal, em horário e tempo de duração pré-estabelecidos, contrato de sigilo e comprometimento de todos os envolvidos no processo.

A diferença para a terapia individual é que o psicólogo atua como um mediador entre os outros membros do grupo, também servindo de apoio e suporte enquanto um dos participantes expõe a situação de conflito que está enfrentando.

Cris: Você falou que o trabalho em grupo oferece algumas vantagens. Quais são elas?


Psicóloga Wilza: A Terapia de Grupo tem diversas vantagens e características próprias, vou listá-las:


  1. Tem um tema, um foco, ou seja, o motivo pelo qual aquele grupo está ali, que é compartilhado por todos. Por exemplo, temos grupo de Emagrecimento, de Depressão, de Gênero, de Pacientes Oncológicos, de Estresse e Ansiedade, enfim, são vários os temas. É evidente que cada membro do grupo tem uma história de vida única, mas todos estão vivendo o mesmo processo neste momento, por exemplo, o emagrecimento. São pessoas que buscaram na Terapia de Grupo novas formas de lidar com suas dificuldades e encontrar uma melhor compreensão e manejo deste processo.
  2. Como cada participante do grupo é único, com uma história de vida única, com formas diferentes de analisar e significar essas vivências, é que temos a segunda característica da Terapia de Grupo – o apoio e a realimentação são ampliados. Não é só o terapeuta que oferece apoio e realimentação, mas todos os outros participantes do grupo. Isso enriquece significativamente a análise e a busca de novas alternativas para lidar com suas dificuldades. Obtendo diferentes perspectivas, cada um terá mais possibilidades de crescimento e de mudanças. Ao ver como os outros lidam com o problema, pode adicionar novas formas de enfrentamento. É a riqueza da variedade de perspectivas.
  3. Outra característica é o custo da Terapia de Grupo, é um formato com custo menor e mais acessível a quem deseja fazer terapia, mas não dispõe no momento de recurso financeiro.
  4. Pelo fato da pessoa não ser a única no grupo a apresentar determinado problema e dificuldade, essa forma de terapia, dá a cada um o sentimento de pertencer, de fazer parte. Aqueles que, em algum momento da vida, já se sentiram excluídos, sabem da importância e do valor do sentimento de pertencer, de fazer parte, de possuir afinidades, de aceitar e ser aceito.
  5. Está implícita na Terapia de Grupo a característica de facilitadora na melhora das habilidades sociais. Os participantes do grupo não serão apenas ouvidos, serão estimulados a ouvirem. Fazer-se entender e entender o outro, nos parâmetros do outro. Isso é, no mínimo, muito enriquecedor e faz de qualquer pessoa um ser melhor e mais humano. Buscar a compreensão e a aceitação de si e do outro, ampliando suas competências interpessoais para lidar com os problemas. Também estimula um a ajudar o outro.
  6. Todo o grupo é incentivado a não desistir e a olhar o outro como companheiro do seu processo. Proporciona oportunidade de todos melhorarem a capacidade de comunicação e o desempenho ao se relacionar com os outros.
  7. A autoestima se eleva, pois todos são encorajados a não julgar e a oferecer apoio.
  8. Como o grupo funciona como continente em relação às angústias de cada um acaba por possibilitar que todos desenvolvam seu potencial com relação à percepção, juízo crítico, criatividade, responsabilidade e capacidade de relacionar-se com o diferente.
  9. A melhora do outro ajuda na crença de que também sou capaz de superação, de vencer. É a instalação da esperança.
  10. Quando alguém compartilha suas questões, está dividindo e confiando e isso diminui o isolamento social. Desenvolve a capacidade de se autorrevelar, num contexto de confiança, potencializando a capacidade de autorreflexão.



Cris: Com tantas vantagens, o que impede as pessoas de procurarem a Terapia de Grupo?


Psicóloga Wilza: Um dos fatores é não saber que ela existe! Outro é não saber que é tão seguro como qualquer outro formato de terapia. Alguns podem ter vergonha ou dificuldade de expor seus problemas para outras pessoas que não o terapeuta. Isso é totalmente compreensível, mas é importante as pessoas saberem que o grupo sempre é orientado a ouvir e apoiar, a não julgar, ridicularizar ou menosprezar os problemas e dificuldades dos outros.
Diante disso, esse medo fica sem fundamento, não existe lugar mais propício para superar a vergonha do que a Terapia de Grupo. É neste ambiente que você pode superar, com segurança, a desconfiança, a timidez, a vergonha, a dificuldade de se expor e a dificuldade do contato interpessoal.
Ao interagir e trocar as pessoas ficam mais próximas, preocupadas e comprometidas umas com as outras.

Cris: Obrigado, Wilza! Você preparou para nós um "raclette". Conte-nos sobre ele e nos passe essa deliciosa receita!

Psicóloga Wilza:
Escolhi esse prato por reunir as pessoas em volta da refeição. É um prato que nutri o grupo tanto no sentido literal e como no figurado.
Raclette é um prato típico Suíço, à base do queijo raclette. Na sua preparação, o queijo é aquecido e raspado sobre os pratos dos comensais.


Receita