Como primeiro convidado,
escolhi o psiquiatra Gustavo Pradi Adam, cujo trabalho a respeito de depressão
já atraiu interesse da Organização Panamericana de Saúde, com quem já publicou
um capítulo de livro a esse respeito.
Cris: Dr. Gustavo,
sabemos que a depressão já foi chamada de “mal do século”, sobre ela muito já
foi falado, escrito e publicado, mas parece que ainda falta esclarecer o
público leigo a respeito, pois muitas vezes a consideram sinal de falta de fé,
falta de força, de caráter, falta de “um tanque cheio de roupa para lavar”. Conte-nos
sobre o seu trabalho e em que ele ajuda a mudar essa mentalidade?
Dr. Gustavo: O trabalho
de que participei focava em uma mudança de paradigma no atendimento a condições
crônicas de saúde em Unidades de Saúde, considerando que, para o sucesso no
manejo de depressão e outras condições crônicas, ao contrário do que acontece
no modelo tracidional de atendimento a gripes, dores de garganta e outras
condições agudas, é necessário se investir muito mais no apoio à capacidade de
autocuidado da pessoa com o transtorno, bem como na sua corresponsabilização
nesse processo. O paciente precisa saber muito mais sobre depressão do que
sobre gripe para se conseguir algum sucesso no tratamento. Nisso entra a
psicoeducação, ou seja, o esclarecimento para a pessoa afetada e para as
pessoas ao seu redor sobre a depressão, suas causas, tratamentos e prognóstico,
ou seja, aí se faz necessário o esclarecimento de que a depressão não é falta
de fé ou de caráter, mas, sim, um transtorno multifatorial, complexo, com
custos pessoais (a depressão pode causar impacto à autoconfiança, ao potencial
de crescimento da pessoa, à sua socialização, pode trazer risco à sua vida e
prejuízo na maioria dos domínios de qualidade de vida, bem como aumentar a
chance para outras doenças) e para a sociedade (impacto nas famílias, no
trabalho, na previdência, dentre outros).
Cris: Sabemos que
dentre os sintomas da depressão encontram-se tristeza, desânimo, alterações do
sono e do apetite, diminuição na capacidade de sentir prazer em suas
atividades, diminuição do apetite, dentre outros, mas quando alguém com esses
sinais deve se preocupar de que possa ter depressão?
Dr. Gustavo: Muitas
vezes, os sintomas na medicina são exacerbação de fenômenos naturais. Por
exemplo, todos sentimos tristeza, mas a tristeza da depressão é prolongada (ao
menos duas semanas) e maior do que a esperada pelo que a causou (ou até aparece
sem motivo aparente), trazendo prejuízo para o funcionamento da pessoa. Caso
contrário, provavelmente não se trata de um sintoma propriamente dito. Eu diria
que os principais sintomas com que a pessoa deva se preocupar são a tristeza, a
falta de vontade ou a falta de prazer em fazer as atividades que antes fazia com
prazer e o c ansaço fácil. É necessário ao menos duas semanas de duração do quadro (a não ser que
muito intenso, quando o diagnóstico mais precoce pode ser necessário,
especialmente se aparecerem pensamentos de suicídio) e isso deve estar afetando
o funcionamento quotidiano desse paciente. Nesse caso, deve procurar ajuda para
se fazer o diagnóstico, o diagnóstico diferencial e pensar em tratamentos.
Cris: Muita gente deve
ficar confusa na hora de procurar ajuda, pensando se devem ir a um psiquiatra
ou a um psicólogo. O que você tem a dizer para elas?
Dr. Gustavo: Procure
alguém! Procure qualquer um dos dois, ou mesmo, um bom clínico. Todos esses
profissionais tem condições de ajudá-lo e de avaliar quando o trabalho do outro
vai ser necessário para complementar o seu. Especialmente para casos mais
graves ou menos responsivos vai ser necessário o trabalho associado do
psiquiatra com o psicólogo.
Cris: Durante essa
conversa, trabalhamos na elaboração de uma salada com molho de iogurte. Dr.
Gustavo, nos conte, por que escolheu essa receita para conversarmos sobre
depressão?
Dr. Gustavo: Assim como a depressão é multifatorial, o seu
tratamento é complexo. É necessário, na maioria dos casos, combinar a medicação
e/ou a psicoterapia com atividade física do tipo aeróbico, com o trabalho na valorização
de momentos sociais e de lazer, com o retorno ao ambiente escolar, acadêmico ou
de trabalho e com uma alimentação saudável e balanceada. Acredito que as
saladas acabam sendo deixadas de lado por muita gente, por serem pouco práticas
ou por não apetecerem a muitos. Nesta receita, a salada se torna um prato atraente
e gostoso e, de quebra, é complementada por iogurte, com sua proteína e cálcio
e pelas nozes e cranberries, que contêm alguns nutrientes difíceis de se encontrar na
alimentação do dia a dia.
Cris: Obrigado, Dr.
Gustavo, pelas informações e por seu trabalho tão importante, acredito que
muita gente vai conseguir esclarecer suas dúvidas a respeito de um transtorno
tão grave quanto a depressão e obrigado pela salada, um prato sempre muito
saudável e, nessa receita, a combinação dos ingredientes ficou perfeita. Para o
meu leitor que curtiu a ideia, segue a receita.
Saiba mais sobre o trabalho do Dr. Gustavo Pradi Adam e sobre a depressão.
Saiba mais sobre o trabalho do Dr. Gustavo Pradi Adam e sobre a depressão.

Adorei a entrevista e, é claro, a salada. Parabéns pela iniciativa Cris.
ResponderExcluirObrigado Dr. Marcelo pela visita. A cada mês, farei novas entrevistas, com novas receitas.
ResponderExcluirParabéns.....ótima entrevista com certeza ira ajudar muitas pessoas.....
ResponderExcluirSucesso Cris....
Os transtornos mentais são doenças que relacionadas ao trabalho são de notificação compulsória para o serviço público. Parabéns Cris pela iniciativa. Sucesso.....
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